Chico Anysio - TEJE PRESO

17/04/2020

TEJE PRESO, quinto Livro escrito pelo MESTRE Chico Anysio, lançado em Junho de 1975 pela editora ROCCO, foi uma Obra de Contos, como os anteriores O BATIZADO DA VACA ( 1972 ), O ENTERRO DO ANÃO ( 1973 ), É MENTIRA, TERTA ? ( 1973 ) e A CURVA DO CALOMBO ( 1974 ). Porém, a diferença estava nas Histórias, desta vez todas sobre o Nordeste. " Os quatro primeiros livros foram mais cariocas. Nordestino, me sinto melhor escrevendo sobre meu Chão", declarou na época ao Jornal O GLOBO, explicando a emotividade e facilidade de trabalhar uma linguagem que melhor se identifica.

TEJE PRESO já estava Pronto desde 1973, antes de A CURVA DO CALOMBO, e Chico considerava o seu Livro mais Trabalhado, sob o ponto de vista Literário, e o mais Importante, sob o ponto de vista Emotivo. Seu Ofício de ESCRITOR havia deixado de ser uma atividade complementar do Humorista para se tornar o que Ele chamava de " Trabalho Sério ", eventualmente cômico, porque " o cotidiano é cômico, mas também trágico". 

Quando lançou TEJE PRESO já tinha PRONTO o Livro O TOCADOR DE TUBA ( que foi lançado muito tempo depois, em 1977, após o lançamento de FEIJOADA NO COPA, livro que veio após TEJE PRESO ). E ainda já tinha CARAPAU ( de 1980 ) em seus Planos. 

" Será um Romance. Tem coisas engraçadas, claro, mas não é frágil. Será sobre o problema da Eleição no Nordeste. Começa em 1945 e termina com as Eleições de 1950, para a Presidência da República. Cobre toda a época do Coronelismo, que acabou definitivamente com a morte de Chico Heráclio " ( Francisco Heráclio do Rego , Proprietário Rural brasileiro de destacada influência política na cidade pernambucana de Limoeiro, falecido em 1974 ).

Ainda ao Jornal O GLOBO, revelou seu Processo de Criação de Livros : " Primeiro, a Sinopse dos Temas. Depois, sem maiores preocupações, a própria história, que será reescrita quantas vezes Eu julgar necessário, ás vezes até cinco ".

TEJE PRESO nada mais foi do que uma Obra genuinamente Nordestina, com seus costumes, hábitos e linguagem. Com ausência humorística ( apenas de maneira Sutil ), tratou de assuntos como Política, Poder, Machismo, e até comportamentos que, atualmente seriam INCONCEBÍVEIS, como a Intolerância a Portadores de Necessidades Especiais, retratada em uma das Histórias do Livro. A História que deu TÍTULO ao Livro tratou da fictícia cidade de Cravelho, esquecida por causa da Rivalidade entre outras duas cidades mais prósperas. Quando a cidade começa a se tornar alvo de Bandidos/Violência, sem poder contar com auxílio do Governo, os cidadãos se Unem para construir uma nova Cadeia. Porém, quando a Cadeia finalmente fica pronta, não encontram presos para inaugurá-la.

Foto Antiga do MESTRE, em 1975, quando Lançou TEJE PRESO.

Kerley Fernandes Salguero, ( fã, admiradora, pesquisadora e idealizadora de conteúdo para projetos virtuais )