Chico Anysio e a Era do Rádio

26/04/2019

Antes do Início
Os Fãs e Admiradores de Chico conhecem bem a história de como ele iniciou sua carreira radiofônica, por acaso, esquecendo o tênis, e no caminho para buscar, desistindo de voltar para a partida de futebol e acompanhando a irmã Lupe Gigliotti no concurso de locutores da Rádio Guanabara. Mas é preciso voltar um pouquinho atrás e lembrar da primeira grande experiência de Chico no Rádio, antes de se tornar um artista efetivamente. Em 1947, por sugestão de um colega, Chico, que era ótimo imitador, resolveu se arriscar e se inscreveu em um dos programas de maior sucesso da Rádio Nacional na época : PAPEL-CARBONO. Em sua Autobiografia SOU FRANCISCO, de 1992, ele relembra essa passagem : " Eram cinco páginas que eu segurava com as mãos e os joelhos tremendo. Somente minha irmã Lilia sabia que eu até já tinha feito a inscrição.. ( .. ) .." Fui sozinho para a Nacional. Fiz o ensaio ás três e meia e fiquei lá mesmo, esperando a hora do programa. Até hoje não sei como consegui entrar no palco e fazer meu número. Se hoje em dia ainda fico gelado e tremo, imagine há quarenta anos, com apenas 16 anos de idade e um passe de bonde no bolso. " Amedrontado e desesperançoso diante das apresentações dos calouros que o antecederam, quase desistiu de se apresentar, mas acabou enfrentando a situação. " As palmas foram maiores que o normal á entrada de um calouro. Imagino isso ter acontecido pela minha magreza, pelos meus pés enormes em relação ao corpo, os olhos muito grandes e uma aparência de treze anos, no máximo. Ou sei lá se tropecei ao entrar. Renato Murce recebeu-me com muita elegância. Parecia um pai da gente, tratava os calouros com a maior dignidade, sem gracinhas ou achincalhes. O contra-regra foi a grande salvação. Ao me ver com o papel na mão, sem que eu pedisse colocou uma estante da orquestra, sobre a qual eu depositei o texto que até então tremia tanto na minha mão que me parecia impossível lê-lo. Respirei fundo, mas não esqueço o ruído dos joelhos batendo, a cada vez que, ainda hoje, entro em cena.. (.. ) ..Foi um grande sucesso. Tanto que nem me lembrei mais do agudo da cantora lírica. No corredor, ao sair do palco, recebi abraços de profissionais da Rádio Nacional e colegas concorrentes.. (.. ) ..Se eu não tivesse vencido naquela noite, teria sofrido uma das maiores desilusões da minha vida, porque houve quem levantasse para me aplaudir ao final do número. O resultado, no fim do programa, comprovou meu atrevido prejulgamento. (.. ) ..Outro estrondo de aplausos e o aviso de que a partir de segunda-feira ao meio-dia podia passar no caixa para receber meus cento e cinquenta mil réis. Nunca na vida eu tinha tido uma bicicleta e isso me dava inveja dos que tinham uma, mesmo de aro 16. Peguei aquela grana enorme, fui á Mesbla, e comprei uma tinindo, novinha, zero quilômetro. "
- Toma. É sua.
.." E dei a bicicleta ao Zelito. " ( Zelito Viana, irmão caçula de Chico, famoso Produtor e Diretor cinematográfico e pai do ator Marcos Palmeira ).
Apesar do futebol e de aspirante á profissão de advogado criminalista, continuou participando de vários concursos de calouros ( sendo vencedor em todos ) em emissoras diversas e permaneceu com a ideia fixa pelo meio artístico, o que o fez insistir em ser recebido pelo diretor da Rádio Guanabara, que após seis meses indo procurá-lo diariamente ( de segunda á sexta ) conseguiu finalmente receber sua atenção. " Pode ser que lhe tenha dado algum pequeno arrependimento pela desconsideração. Não sei a razão real, mas ele me recebeu. " (..)
- O que você quer ? - perguntou secamente
- Quero entrar para o rádio
- Isso todo mundo quer. Mas para fazer o quê ? O que é que você sabe fazer ?
- Sou imitador. Sei fazer imitações.
- Pois então prepare um programa de imitações e me traga. Vamos ver o que se pode fazer - disse já me conduzindo á porta, por onde saí com uma esperança enorme. (.. )
(.. ).. " Eu não podia ter esquecido o nome daquele diretor, pois ele foi outra pessoa de grande importância na minha vida ".
Chico, depois de preparar um programa chamado PARECE, MAS NÃO É, e entregar ao diretor, conseguiu a oportunidade de começar a trabalhar na rádio, sem remuneração ( só passaria a ser remunerado se o programa fizesse sucesso ). " Ter direito a meia hora por semana numa estação de rádio de verdade era um grande negócio, mesmo sendo de graça.. Durante a semana escrevi logo quatro programas para garantir o primeiro mês, e mais do que esse mês eu não fiz. Até hoje, vez por outra, encontro alguém que me diz ter ouvido esse programa escondido ás cinco da tarde das terças-feiras na Rádio Guanabara e fico muito surpreso. Será que alguém ouviu mesmo ? Como pode alguém ter ouvido se fui dispensado por falta de audiência ? Gostava do programa. Era eu sozinho ao microfone, fazendo todas as vozes.. (.. ) ..ainda propus, e cheguei a realizar, um radiobaile entrecortado de conversas ( piadas ), dando a impressão de que era realmente uma festa. Fiz duas vezes ( aos sábados ) e ele, ao final, dispensou-me em definitivo. ..( .. ) ..Nesse dia eu desisti de ser artista."
Chico voltou então suas atenções ( e intenções ) aos estudos de direito. " Era como se eu estivesse dizendo para mim mesmo o que era certo fazer da vida:
- Já que você não soube defender a sua causa, vá defender as causas dos outros. "
Até que um dia aconteceu o episódio do tênis esquecido, onde, no concurso da Guanabara, Chico tirou o sétimo lugar no teste de radioator e o segundo lugar no de locutor, ficando atrás de Silvio Santos, que foi o vencedor.

A Trajetória no Rádio

Em 1948 começou como locutor nos programas das madrugadas da Rádio Guanabara. Também foi galã das rádio-novelas da emissora. Quando resolveram investir na linha de Humor, Chico, pela habilidade de imitar vozes, saiu das novelas. Começou aí sua saga no humorismo. " Eu não trabalhava nos programas que escrevia, porque os dirigia. Não dava para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. "

Quando a Rádio Guanabara foi comprada pelo político Adhemar de Barros e a conotação da programação teve de ser mudada, iniciou-se uma crise interna, o que fez Chico ir parar na Rádio Mayrink Veiga através de seu irmão mais velho, Elano de Paula. Um desentendimento com o diretor o fez ser despedido, mas, através de Ronaldo Lupo, conseguiu no mesmo instante da demissão um novo emprego na Rádio Clube de Pernambuco. A Mudança de estado e de emprego, porém, foi uma das experiências mais difíceis e desagradáveis na vida de Chico, por uma série de circunstâncias. Após dificuldades e injustiças dentro da Rádio, conseguiu rescisão do contrato e a multa foi paga através de um acordo, em que Chico teria, no período de quatro anos, de pagar em forma de programas escritos para a Rádio, onde os Scripts eram enviados do Rio para lá.

Chico retornou ao Rio de Janeiro na Rádio Clube do Brasil, forte concorrente da Rádio Nacional. Trabalhou sem contrato, escrevendo e atuando, até ser demitido por Dias Gomes ( dramaturgo, famoso por ROQUE SANTEIRO e outros sucessos ), á época, diretor artístico da rádio. Foi demitido sem direitos, por ter acreditado em Sérgio Vasconcellos, diretor, que sinalizou em Chico a oportunidade de levá-lo junto com ele para a Rádio Nacional, o fazendo protelar a assinatura de contrato com a Rádio Clube. Chico, acreditando em Sérgio, acabou desempregado, prejudicado e desiludido.

Foram meses de desemprego, até Chico, ocasionalmente, encontrar Haroldo Barbosa, que o levou para trabalhar com ele na Mayrink Veiga ( por onde Chico já havia passado ). Chico, que naquele mesmo dia havia participado de um acordo para ir para a Rádio Tupi, abriu mão da oportunidade por causa desse encontro inesperado com Haroldo.

Chico Anysio sempre disse, em vários veículos de comunicação, que Haroldo Barbosa foi a pessoa que realmente acreditou nele e fez sua carreira acontecer, e que tudo o que ele sabia de Humor, todos os ensinamentos e truques, aprendeu com Haroldo.

Chico também se destacou no rádio como comentarista esportivo, sendo colaborador de Raul Longras na Rádio Guanabara.

Detalhes e Curiosidades
Na Rádio Guanabara, fez de tudo : " Com duas semanas de rádio, eu já tinha quatro profissões: locutor, rádio-ator, redator e comentarista esportivo e passei também a receber quatro salários. Logo depois, veio o humor."
Na primeira passagem pela Mayrink Veiga, em 1950, exacerbado de traballho, não tinha tempo suficiente para sua rotina particular, nem conseguia tirar sua carteira de trabalho. " Eu escrevia treze programas por semana e atuava em tudo. O tempo mal dava para cumprir minha obrigação. Ele ( Diretor ) não entendia que eram necessárias duas horas de folga para ir ao Ministério do Trabalho. Um dia aconteceu. Ele me cobrou a carteira, pela quinquagésima vez, e eu respondi pela quinquagésima primeira que não tinha tido tempo. Ele gritou, eu gritei, ele era diretor, e eu não era nada. "
No saguão da rádio, Ronaldo Lupo encontrou Chico, que contou todo o episódio da discussão e demissão, e Ronaldo, com um telefonema naquele mesmo instante, conseguiu um contrato de três anos para Chico na Rádio Clube de Pernambuco.
De Mudança para Recife, Chico passou por uma série de problemas e dificuldades. " Hoje Recife é uma doce saudade, porque o tempo minimiza os dramas a ponto de os transformar em comédia.. (.. ) ..Que bom que já é hoje e eu posso filtrar, coar, medir, purificar as lembranças e fazer dos meus nove meses em Recife um parto sem dor. Um parto feliz. Nove meses que gestaram uma infinidade de lições, um sem-número de amigos que mantenho até hoje, uma grande aula de vida. Porque é errando que se aprende e em Recife eu não obtive uma vitória sequer."
Entre episódios de dificuldade de adaptação, saudades da família no Rio, falta de dinheiro, melancolia por solidão, e o resultado frustrante na apresentação do seu primeiro grande trabalho pela Rádio Clube ( o Espetáculo ao vivo BRASIL MUSICAL, promovido pela rádio ), gerado por uma série de erros e embaraços, talvez o problema maior de Chico em Pernambuco tenha sido as perseguições por parte do diretor artístico da emissora e as injustiças provenientes disso. " Otávio Augusto Vampré viera do sul, como eu. Mas era antigo e experiente homem de rádio.. (.. ) .. " Não sei a razão pela qual ele não ia com a minha cara, o que não me incomodava muito, uma vez que eu fizesse direito meu trabalho, não faltasse aos compromissos e as coisas que eu preparasse funcionassem a contento.. (.. ) .." os programas que eu escrevia, se não conseguiam um grande sucesso, em nada atrapalhavam.. (.. ) .." Mas o Vampré resolveu ficar contra mim mais e mais. Eu lia a tabela e não me via escalado para nenhum programa. Á noite, é claro, eu não aparecia. Mas, depois de saber que já tinha visto a tabela, mandava acrescentar meu nome. Minha ausência significava falta ao trabalho. Fui multado, inicialmente. Depois fui suspenso. Até que cheguei á conclusão ser impossível continuar sob seu comando. Mas a possibilidade de que ele saísse da casa me parecia fora de questão. Eu teria que sair. Só que havia um contrato de três anos a ser cumprido e ainda faltavam dois anos e três meses. "
" Os dois últimos meses de Recife, quando já morava numa pensãozinha melhor, na rua Riachuelo, foram cruéis. As multas me diminuíam o dinheiro e a reputação. O Sr. Arnaldo Pinto - que acreditava no Vampré, não em mim - passou a me considerar um descumpridor de obrigações.. (.. ) ..Foi quando recebi uma carta do meu irmão Elano acenando com a possibilidade de um contrato na Rádio Clube do Brasil, no Rio. "
Foi aí que o diretor Arnaldo Pinto aceitou o acordo de Chico de pagar a multa de rescisão contratual no período de quatro anos, em forma de programas semanais escritos para a Rádio, enviados do Rio.
Já de volta, empregado na Rádio Clube do Brasil, outro período de injustiças, mas dessa vez, não por culpa de implicância, mas de persuasão por parte do diretor geral da Rádio. Chico trabalhava na rádio sem contrato, e, Sérgio Vasconcellos convenceu Chico a ir protelando a assinatura, que o tornaria um funcionário formal e com  todos os direitos trabalhistas. Isso porque Sérgio estava acertando sua ida para a Rádio Nacional e demonstrou enorme interesse em levar Chico com ele : " Eu estou pra ir para a Rádio Nacional. Então, não assine contrato aqui. Vá transferindo, vá adiando, vá deixando pra depois, mas não assine. Em dez, doze dias, eu resolvo se vou pra Nacional ou não. Se eu não for, você assina contrato e tudo fica resolvido, mas se eu for, quero levar você comigo e, sem contrato aqui, você estará desimpedido e poderá ir. Entendeu ? " ..( .. ) .." Não apenas entendi como me empolguei. Eu tinha menos de três anos de rádio e o Sérgio Vasconcellos me acenava com a possibilidade de já ir trabalhar na Nacional. Quem poderia querer alguma coisa melhor ? ".. (.. ) .. " Dei as desculpas possíveis, transferi o quanto pude a assinatura daquele contrato que poderia ser a barreira para a entrada na Nacional, realização do sonho de qualquer artista na época. "
Um dia Chico foi chamado á sala do Dias Gomes, que na época era o diretor de broadcasting, juntamente com outros funcionários : " Há uma ordem de cima para que se diminua a folha de pagamento e vocês, infelizmente, terão que ser dispensados. " .. (.. ) " Fui á sala do Sérgio Vasconcellos e não o encontrei. Elano, meu irmão, alertou-me : - Deve ser coisa do Sérgio. Eu soube que ele está de saída pra Nacional. Isso ele já fez pra te levar pra lá. "
" Foi mais do que um conforto. Elano me deu ali uma acendida na esperança. Fui pra casa esperar o telefonema do Sérgio Vasconcellos, já bolando os programas que escreveria para a Nacional, onde seria companheiro de Max Nunes, Ghiaroni, Eurico Silva, Brandão Filho, Floriano Faissal, Paulo Roberto, Mário Lago. Era de me beliscar, para acreditar ser verdade. No dia seguinte, soube da ida do Sérgio para a direção da Nacional. Fiquei uma semana ao lado do telefone esperando seu chamado ".
Até que Chico, uma semana depois, não aguentou mais esperar e foi pessoalmente procurar Sérgio : "Quatro horas depois a porta de seu gabinete se abriu e ele surgiu com os mesmos óculos, o mesmo sorriso e um abraço ainda maior. Eu suava nas mãos e tremia no peito. "
- Estou aqui, " seu "Sérgio.
- Estou vendo, menino, estou vendo. E então ? O que é que você deseja ? Que é que manda ?
" (.. ).. quase o mandei ao lugar merecido. Tive que me controlar para não lhe dizer o que ele merecia.. (.. ) ..Fiquei calado, mas por dentro não o chamava apenas de traidor, mas me chamava de idiota por ter acreditado na sua promessa. Ah, por que não assinara o contrato da Rádio Clube ? Se meu contrato estivesse registrado, o Dias Gomes não poderia ter me mandado embora naquele dia obedecendo a ordem daquele filho.. "
" Nunca mais tive qualquer notícia deste Sérgio Vasconcellos. Pode ser que ele já tenha morrido - o que em nada alterará o que penso a seu respeito. Pode ser que ande numa empresa qualquer, com os mesmos óculos, o mesmo sorriso e o mesmo caráter. Nunca mais ouvi falar dele, mas fico indisfarçadamente feliz quando ligo isto á certeza de que sem a menor dúvida ele ouviu falar muito de mim. "
Chico ficou seis meses desempregado. " A pior dor é aquela que estamos sentindo. Eu sofria uma dor estranha. Não era apenas o desemprego que doía, mas a raiva de ter sido enganado, um descrédito nas minhas possibilidades, uma desconfiança sobre o meu talento e a possibilidade de nunca mais arranjar emprego. "
Após esse período conseguiu emprego no Sindicato dos Economistas como entregador de correspondências, e, entre uma entrega e outra, ou quando terminava seu expediente, entrava em uma rádio ou outra atrás de oportunidades. " Estive mais de dez vezes na Rádio Tupi e em algumas delas consegui ser recebido pelo diretor, Paulo de Grammont. - No momento não posso fazer nada por você. Temos um elenco completo, não há como encaixar mais ninguém ".
Um dia, Paulo recebeu Chico de maneira diferente. " Com o Sérgio Vasconcellos na minha cabeça, eu entrei desconfiando daquela esmola enorme que me estava sendo dada." Combinaram valores de salário, funções e quantidade de programas. " Eram sete da noite. Saía a caminho do Tabuleiro da Baiana onde pegaria o bonde para casa. Virei a Rio Branco e, em vez de seguir por ela, me deu na telha dobrar a Rua dos Beneditinos. Foi aí que eu encontrei meu futuro. Nesta noite, numa passada sem nenhuma explicação lógica pela Rua dos Beneditinos, meu futuro apareceu numa voz que gritou : - Garoto ! "
Assim se deu o encontro ocasional com Haroldo Barbosa, que o levou para a Mayrink Veiga, onde Chico estabilizou sua carreira e onde, trabalhando com Haroldo, lapidou seu talento nato. " Entrei no saguão da Mayrink com o moral tão alto que nem me lembrei estar passando pelo telefone através do qual o Ronaldo Lupo, há um ano e pouco, havia conseguido meu emprego em Pernambuco. "
Naquela mesma noite Chico retornou á Rádio Tupi para avisar Paulo de Grammont que não assinaria mais contrato, fato que foi compreendido pelo diretor. " Capriche no seu trabalho. Você vai trabalhar no meio de feras. Não vai ser fácil sair vivo. Mas, se conseguir, terá o futuro garantido. "
Na Mayrink Veiga Chico fazia enorme sucesso e se estabeleceu na profissão. Criou, escreveu e participou de diversos programas, passou a ter fama nas revistas especializadas da época, como REVISTA DO RÁDIO e RADIOLÂNDIA, e o caminho para a televisão aconteceu conforme o domínio desta começou a ter sobre o rádio. Chico já atuava na TV paralelamente ao trabalho no rádio. Seu primeiro trabalho efetivo na TV foi no programa AÍ VEM DONA ISAURA ( TV-RIO ), onde foi escalado por Haroldo Barbosa para fazer o tio da personagem. Nesse mesmo período fez outros trabalhos na TV TUPI através de Maurício Sherman. Até que a Era Radiofônica, no Brasil, de um modo geral, foi chegando ao fim. " Isso me dava uma pequena dor por dentro, porque o rádio sempre foi para mim uma escola da maior importância. Foi no rádio que eu aprendi, que me criei. Não me trazia nenhuma felicidade esse nocaute que a televisão se preparava para impor ao rádio e muito me desagradou o rádio ter ' jogado a toalha ', entregando a luta. Ainda fiz ver aos diretores que o horário nobre apenas havia mudado.. (.. ) ..Sugeri a transferência da programação noturna para a manhã. Os programas ' montados ' passariam para de manhã, e á noite colocaríamos música, com disc-jóqueis. Eles preferiram abolir os programas montados, e usar disc-jóqueis na programação geral. "
Chico Anysio sugeriu que a TV-RIO tivesse sua programação baseada no que acontecia na Mayrink : voltada totalmente para o Humor, sugestão acatada por Walter Clark ( diretor comercial ) e Péricles do Amaral. Dessa forma a TV-RIO nasceu e começou a saga de Chico Anysio no meio televisivo.

Matéria da Revista RADIOLÂNDIA, em 1955

Principais Destaques de Chico Anysio no Rádio : 

  1. - Papel- Carbono ( Concurso na Rádio Nacional )
  2. - A Hora do Pato ( Concurso )
  3. - Pescando Estrelas ( Concurso na Rádio Clube do Brasil )
  4. - Os Calouros de Ary Barroso ( Concurso ) 
  5. - A Hora do Trabuco ( Concurso na Rádio Tupi )
  6. - Show Ping-Pong ( Guanabara ) 
  7. - Cine Art-Palacinho ( Guanabara ) 
  8. - Teatrinho Bhering ( Guanabara ) 
  9. - Radiac C-8 ( Guanabara ) 
  10. - Recruta 23 ( de Aloysio Silva Araújo ) ( Mayrink  )
  11. - P.R.A -9 ( Mayrink, primeira fase )
  12. - Brasil Musical ( Espetáculo promovido pela Rádio Clube de Pernambuco )
  13. - Dona Pinóia e seus Brotinhos ( Rádio Clube de Pernambuco )
  14. - Este Norte é de Morte ( Mayrink ) 
  15. - Me dá o seu Boné ( Mayrink ) 
  16. - De Conversa em Conversa ( Mayrink ) 
  17. - Vai levando ( Mayrink ) 
  18. - Time de Comédias Predileto ( Mayrink ) 
  19. - A Lira do Xopotó ( Transmissão pela Rádio Nacional, na época em intercâmbio com a Mayrink Veiga )
  20. - Cidade se Diverte ( participação no programa de Haroldo Barbosa, onde popularizou o personagem considerado por ele o mais importante de toda sua carreira : Profº Raimundo ) ( Mayrink ) - PRK-30 ( de Lauro Borges ) ( Mayrink ) 

Kerley Fernandes Salguero, ( fã, admiradora, pesquisadora e idealizadora de conteúdo para projetos virtuais )