Chico Anysio - Shows e Espetáculos

28/06/2019

O Início nos Palcos

O Sucesso estrondoso de Chico Anysio na televisão, através do CHICO ANÍSIO SHOW, foi o que ocasionou a ida de Chico para os Palcos. " Pelo sucesso do CHICO ANÍSIO SHOW, começaram a chegar pedidos para apresentações em clubes pelo Brasil. Resolvi fazer um show onde me apresentasse sozinho, imitando meus personagens ( sem caracterização, usando apenas a voz e os trejeitos ). O dinheiro oferecido era bom e dinheiro não aceita desaforo. Não se ganha amanhã o dinheiro que se dispensa hoje. "

" Devo aqui um agradecimento a Rose Rondelli, com quem eu era casado na ocasião. Ela me deu uma força muito grande para que eu fizesse esse show. Como sou muito tímido, ela se prontificou a entrar comigo no palco nos primeiros shows, para me dar um apoio. Nos dois primeiros ela cantou três números no meio ( tempo que eu precisava para respirar e equilibrar a tremedeira ). Estreei no FLUMINENSE e o segundo show fiz no CLUBE NAVAL. Daí em diante a Rose não precisou mais ir. Fazíamos o show o Manoel da Conceição ( Mão de Vaca ) me acompanhando no violão e eu, contando as minhas estórias. "

Os Shows e Espetáculos da Carreira 

Apesar do Humorista José Vasconcellos ( 1926 - 2011 ) ter sido O PAI do STAND-UP no Brasil, foi o Mestre Chico Anysio quem Consolidou esse Estilo de fazer Comédia ( a Cara Limpa, os Textos/Piadas e o Microfone, geralmente em Pé - daí a origem do termo ). Da primeira década de 2000 em diante houve o surgimento de diversos comediantes que se tornaram famosos devido a esse gênero de fazer humor, trazendo tanto a popularização do gênero quanto Deles mesmos, mas Chico, durante anos, foi o PIONEIRO desse Estilo. Ao Longo da Carreira, foram mais de 10.000 Apresentações no Brasil e no Exterior. Seus Espetáculos mais famosos e lembrados são CHICO ANÍSIO.. SÓ, nos anos 60, CHICO TOTAL, CHICO SET, O FOFO ( já nos anos 2000 ), EU CONTO, VOCÊS CANTAM, que misturava humor e música, além da inesquecível apresentação em 1981 no Carnegie Hall, em NY, e dos Shows TAL PAI, TAL FILHO, com o filho André Lucas, e CHICO.TOM, ao lado do humorista Tom Cavalcante, estes dois, os últimos de sua Carreira. Ainda no Currículo de Chico estão os Shows GOSTEI MAIS DO OUTRO, UMA NOITE COM CHICO ANÍSIO, NO QUARTO COM CHICO, AÍ..QUINTO, OITAVO NA PENEIRA, NÓ NO SHOW, OU DÁ OU DÉCIMO, DIÁLOGOS, DIÁLOGOS II, O DIREITO DE RIR E RIR, OLHA EU AQUI OUTRA VEZ, RINDO Á TOA e CHICO ANYSIO, O FANTÁSTICO. Chico Anysio ainda teve alguns outros Espetáculos Paralelos, como UM HOMEM NA PRAÇA, no final dos Anos 80.

Bastidores e Curiosidades 

Em quase toda sua Carreira, o Mestre Chico Anysio se dividiu entre as gravações de seus Programas na TV e as viagens pelo País com seus Shows, algo cansativo, mas um esquema do qual ele não abria mão, apesar de reconhecer as diferenças entre um trabalho e outro : " Na Televisão trabalho com uma equipe enorme, tenho o recurso da maquiagem, e o programa é gravado no período de até quinze horas, dependendo das dificuldades de cada dia. No Teatro, trabalho sozinho, apesar de contar com um conjunto e um trio vocal, sem poder utilizar o recurso da maquiagem, somente Voz e Gestos. A Televisão dá uma facilidade maior na composição do Tipo, mas o teatro dá uma liberdade maior ao que o Tipo Diz. Essa é a grande diferença " , contou em reportagem publicada em 1974 á revista AMIGA.

" A televisão é uma vitrine indispensável a quem quer fazer esse tipo de trabalho, e eu tinha essa vitrine. Os shows foram sempre de muito sucesso. Fiz shows por esse Brasil inteiro. Atuei em centenas de clubes, cinemas, teatros, circos, campos de futebol e ginásios. Só no CLUBE ATLÉTICO SANTISTA me apresentei mais de oito vezes. Cabral Júnior era meu empresário e houve dia de fazer quatro shows no mesmo dia.. (.. ) quando eu chegava nos clubes, o diretor social me indicava o camarim.

- Que camarim ? - eu perguntava.

- Pra você mudar a roupa dos personagens.
- Mas eu não mudo de roupa, nem faço caracterizações. 

Era um desapontamento inescondível. Ninguém entendia. Mas, no final, ninguém se decepcionava. O show agradava muito e, de modo geral, ali mesmo já se combinava uma volta ao clube para novo trabalho. "


Em 1968, com as crises e falências das emissoras de TV acontecendo gradualmente, Chico Anysio se dedicava exclusivamente a apresentações pelo Brasil. " Continuei no TBC com casas lotadas todas as noites e, por um tempo cheguei a esquecer a televisão. Nem ligava a minha. Não por bronca ou coisa semelhante, mas por falta de interesse. Não havia nada que valesse a pena ser visto.. (.. ) ..Foi a época em que menos trabalhei na vida. Passava o dia esperando pela noite, hora em que subia ao palco e fazia o meu espetáculo para uma casa invariavelmente lotada.
Foi quando Ricardo Amaral, que inauguraria o TEATRO DA LAGOA, no Rio de Janeiro, propôs a Chico que a abertura da casa fosse com sua apresentação. " Marcamos a estreia para Janeiro de 1969, já que minha temporada no TBC acabaria em Dezembro de 1968. "


" Eu nunca tinha feito teatro no Rio e isso me deixava nervoso. Não sabia como seria recebido pelo público carioca porque naquele tempo a televisão ainda não tinha equalizado a linguagem do país. As gírias eram diferentes em cada estado e havia coisas que ainda precisavam ser adaptadas a uma cidade ou outra. Roberto Colossi, meu empresário, me tranquilizava com uma frase maravilhosa : - Sorvete é gelado em todo lugar.. (.. ) " Carioca era naquele tempo mais um competidor do que um espectador. De qualquer modo, a temporada estava marcada e eu inaugurei o TEATRO DA LAGOA com o CHICO ANÍSIO.. SÓ. O Show em São Paulo fora dirigido pelo Antônio Pedro. No Rio, pelo Oswaldo Loureiro. "


CHICO ANÍSIO.. SÓ foi o primeiro show Efetivo da Carreira de Chico Anysio e um dos mais Marcantes de toda sua trajetória nos palcos : " A noite da estreia foi uma loucura. A passarela entre as poltronas foi colocada ás nove da noite. Parecia filme do Jacques Tati : tudo sendo feito em cima da hora. Ás nove e meia do dia seis de Janeiro de 1969, eu entrei no Palco e tudo correu ainda melhor do que em São Paulo. Eu tinha 38 anos, era grande novidade para o Rio, onde só havia atuado naqueles dois shows com a Rose : no FLUMINENSE e no CLUBE NAVAL. A plateia parecia estar tendo uma surpresa, já que só me conhecia, até então, atrás das caracterizações dos personagens. Eu fazia oito sessões por semana, de terça a domingo, sendo que aos sábados e domingos fazia dois espetáculos. A média do público presente foi superior ao número de poltronas. O Ricardo chegou a inaugurar uma placa que está lá até hoje ( 1992 ). Tenho uma fita deste show e não gosto de ouvir. Eu era tão pior do que sou hoje que chego a achar estranho que ' aquilo ' tenha agradado. Eu ainda não dominava o tempo, o ritmo, o tom de cada fala. Não sabia aproximar ou afastar o microfone na dependência do que falava ou de ' quem ' falava. Meu olhar corria pela plateia, o que dificultava a compreensão do público. Chamo isso de geografia do show. Cada pessoa ' está num lugar '. O olhar deve mostrar a plateia onde cada um está. Isto facilita o entendimento e em 69 eu ainda não sabia disso. Mas, como o público também não sabia, gostou. Gostou muito. Sei de pessoas que viram o espetáculo dez, quinze vezes. Até hoje me falam da estória do AVIÃO DE MARANGUAPE, do Negão do ' LEPT-LEPT ', do FOGUETE BRASILEIRO. "


Logo Chico estreou na TV GLOBO, mas continuou com suas temporadas de shows pelo país. CHICO ANÍSIO.. SÓ foi um sucesso tão estrondoso que Chico, ao lançar seu segundo show, propositalmente batizou de GOSTEI MAIS DO OUTRO, tirando a chance da imprensa e da crítica de desmerecerem seu novo trabalho. Tempos depois vieram UMA NOITE COM CHICO ANÍSIO e NO QUARTO COM CHICO. 

Chico Anysio em NO QUARTO COM CHICO, em 1974


Seu quinto show AÍ..QUINTO, teve o nome inspirado no AI-5 ( Ato Institucional ). Surgiu CHICO TOTAL ( que se tornou LP em 1980 ) e mais tarde CHICO SET, um dos espetáculos mais Complicados de sua carreira: 

" Eu queria fazer com o Daniel ( Filho ), um show representado. Mário Monteiro fez o cenário, que era um Set de televisão. Um enorme baú aberto, com roupas, que eu trocaria, refletores, uma escada, um cenário bonito, onde havia uma poltrona, um espelho de sala de maquiagem, tudo imitando um set de televisão. O Daniel fez uma direção maravilhosa, mas não pôde me acompanhar na estreia na Bahia. Estreei numa quarta-feira no TEATRO CASTRO ALVES, com casa lotada. O espetáculo não rendeu o esperado.. (.. ) Telefonei para o Daniel depois do show, como havíamos combinado.. (.. ) .. " Contei o quanto tinham rido, o quanto tinham gostado, o que funcionara melhor ou pior e que no todo a coisa não tinha ido bem. Daniel e eu falamos mais de quarenta minutos. Ele tinha o show todo na cabeça e fez várias sugestões : - Muda isso, tira aquilo, chega o praticável mais para frente, muda esta luz, modifica aquela.. (.. ) .. Anotei todas as suas recomendações, fui para a máquina de escrever e trabalhei até sete da manhã nas modificações sugeridas. Fizemos um ensaio com as mudanças á tarde e na quinta-feira á noite, com a casa lotada, apresentei novamente o espetáculo. Depois liguei mais uma vez para o Daniel :

- E aí, Tudo bem ?

- Tudo mal. Não funcionou.

- Mas tem que funcionar. É engraçado, pô !

Após a primeira e a segunda apresentações fracassadas vieram outras duas, ambas também sem sucesso, sempre com modificações sugeridas por Daniel e Roteiro REESCRITO por Chico. " Estava exausto. No meio do ensaio me deu uma vontade enorme de parar tudo, de acabar com aquilo, de voltar para casa e nunca mais pisar num palco. Fiquei quinze minutos conversando comigo, ao mesmo tempo em que a vontade real era sair de perto de mim. A casa estava toda vendida para a noite. Sentado numa poltrona do teatro vazio, eu olhava o palco onde estava montado aquele cenário lindo de um show que não funcionava. Foi crescendo em mim uma coisa que até hoje não consigo definir. Não era raiva, não era medo, não era preguiça, não era cansaço. Talvez fosse uma combinação dessas quatro coisas. Aí, levantei, fui ao palco e dei uma ordem :
- Tira Tudo. Arranca esse cenário, some com ele, deixa só a rotunda e traz o meu banquinho. Em vez de representar, vou CONTAR o show pra eles." Enquanto faziam a remoção do cenário e reafinavam a luz, disse o show mentalmente, mudando o que era REPRESENTADO para NARRADO. Dava para adaptar tudo. Á noite, a casa cheia, CONTEI o show. O Sucesso foi absoluto. Tudo rendeu o esperado, riram de tudo, aplaudiram tudo. Liguei para o Daniel : - Não precisa vir." Contei o que tinha feito. Daniel não parava de rir enquanto eu contava o que fizera.. (.. ) .." Quando contei ao Boni o caso, ele me falou : - Se você tivesse falado comigo, eu não teria deixado você fazer isso. A gente quando vai ver você no teatro, vai esperando isso : você, no banquinho, contando as histórias."  " Mas o show ( nesse novo esquema que deu certo ) não estava dirigido. Fiz Salvador, Recife, e Fortaleza e voltei para o Rio para me apresentar no GOLDEN ROOM. Convidei o Jô para dirigir. Inicialmente o Jô aceitou. Depois me ligou dizendo que não podia, por estar com um problema de saúde. Teimei e Insisti. O grilo do Jô foi superado e ele me dirigiu com o maior empenho e brilho. E a ele fico devendo, para o resto da vida, uma providência :
- Dispense o conjunto e vamos fazer o show com fita. 
- Fica frio, Jô. O conjunto me ajuda.
- O conjunto é desnecessário, além de ser uma despesa enorme. Pode pôr a fita que ninguém vai reclamar. Eu garanto.
" Gravei a parte musical toda e, até hoje, ninguém reclamou. Isso, nunca pagarei ao Jô Soares. Ás vezes fico imaginando quanto dinheiro gastei á toa, com um conjunto que chegou a ser formado por sete músicos. Em NO QUARTO COM CHICO, além dos sete músicos, eu tinha um trio vocal. Hoje ( 1992 ), a fita me dá uma Orquestra. Não apenas ME DÁ. A fita dá uma orquestra AO PÚBLICO. O nome desta ORQUESTRA é Nico Rezende " ( famoso cantor e arranjador nos anos 80, produtor musical de LP'S de diversos nomes importantes da MPB e intérprete de um dos maiores HITS das paradas daquela década, o sucesso ESQUECE E VEM ).

Dirigido por Jô Soares em 1981, onde atingiu o número de 100 apresentações no  GOLDEN ROOM


Quando foi fazer a peça teatral O BELO E AS FERAS, Chico também passou por momentos caóticos, mas, naquela ocasião, não teve salvação : " Eu e seis mulheres. O Walter Avancini dirigiu. Ficou muito bom, o Avancini é um diretor excepcional. Tudo o que ele faz, faz bem-feito. Exigente demais, mas o resultado é altamente compensador. Eu saí com o espetáculo para uma excursão pelo nordeste. Lotamos todas as casas, mas não havia noite sem uma briga no elenco, sem uma reclamação, sem uma aporrinhação. Na volta ao Rio mudei o elenco inteiro para o Sul, mantendo apenas a Zélia Hoffmann, que fazia o papel de Maria Tereza e era insubstituível, além de ser a única a não dar o menor trabalho. Avancini reensaiou o novo elenco e parti para o Sul. Parecia que nada tinha mudado. As mesmas reclamações, querelas, bate-bocas.
- Por que fulana tem mais falas que eu ?
- Não sei. Aconteceu.
- Eu tenho que ter mais falas que ela, porque sou melhor.
- Não estamos aqui medindo quem é melhor ou pior.
- Mas eu sou melhor, tenho que falar mais .
- Vou providenciar.
E arranjava uma fala a mais para a que havia reclamado.
- Por que fulana está falando mais ? 
- Não sei. Achei bom acrescentar aquela fala.
- Mas assim ela está falando mais do que eu !


Era um pé. Ninguém queria entrar em cena primeiro, todas queriam ser apresentadas por último, ninguém queria dividir camarim com ninguém. Em Porto Alegre, no TEATRO LEOPOLDINA, o pote encheu :

 
- Obrigado, foi ótimo ter trabalhado com vocês, muito agradecido, vocês são lindas, eu fico gratíssimo, tudo bem, mas Adeus ! O espetáculo acabou hoje. Aqui estão as passagens de volta. O avião sai amanhã ás sete e meia.

" Mandei mudar o letreiro, fiz um comercial para a televisão e, na noite seguinte, já estava fazendo novamente o meu show sozinho, onde ninguém reclamava se eu falava mais ou menos ou se entrava naquela hora ou se a luz apagava depois da minha fala. "


A histórica apresentação em NY no Carnegie Hall, transmitida pela GLOBO em seu Programa CHICO TOTAL, de 1981, foi um MARCO INESQUECÍVEL da Carreira de Chico :

"Meu filho Lug estudava em Nova York, na Long Island University, e isso me fazia ir muito aos Estados Unidos. Em 81, por exemplo, fui quatro vezes à América para visitá-lo. Numa dessas visitas um amigo meu, Shia, que hoje mora em Miami, acenou-me com a possibilidade de fazer um show para brasileiros no Carnegie Hall.

- Será que isso dá certo, Shia?

- São mais de duzentos mil brasileiros que moram entre Nova York e Nova Jersey. Vamos lotar a casa.
Achei tentador e concordei. Ele começou a trabalhar. Conseguiu uma vaga na pauta do Carnegie Hall para Setembro. Conversei com o Boni e ele sugeriu que o CHICO TOTAL de Setembro fosse a apresentação do Carnegie Hall. Concordei. Eu economizava uma ideia e ganhava mais dias para ficar por lá, pela desnecessidade daqueles sete dias de gravação aqui. " 

" Como o show seria gravado para ir ao ar no Brasil, tive que fazer dois em vez de um. Naquele ano (81) o palavrão já estava liberado no teatro. A censura fechara tanto a parte política que, para compensar, abriu o direito ao palavrão. Já havia muitos no meu show. Não poderia ser exibido pela TV. " 


Chico tinha suas próprias opiniões sobre o PALAVRÃO em shows : " Não sou dos que acham o palavrão INDISPENSÁVEL. Não. Mas faço parte dos que acham o palavrão uma coisa ACEITÁVEL, dependendo da hora e do modo como é dito. Se a cena é num confessionário, pode ter um palavrão. Se é sobre Suruba, Não Pode. O palavrão só cabe nas cenas PURAS. Se o assunto tratado for sacana, o palavrão sobra. Qualquer excesso é demasiado. É preciso não chocar, é importante ser necessário. Além do mais, o linguajar atual é cheio de palavrões. Fala-se na vida real, tanto palavrão que considero absurdo alguém reclamar de um palavrão dito no palco.. (.. ) .. " Procuro dizer os palavrões que PODEM ser ditos. Os mais cabeludos não digo.. (.. ) .. Procuro falar, no meu show, como se fala na vida e a vida é, ela mesma, um PALAVRÃO. "


" Decorei novamente um show antigo (sem palavrão nenhum) e o ensaiei, com a parte musical gravada. Foi como se o meu show tivesse duas partes: a primeira, o show antigo, e a segunda, o show atual. Na primeira parte (gravada para a TV), entrei em cena de smoking. Na segunda parte (apenas para a plateia), entrei de jeans, jaqueta, informal. "


" A Globo ajudou muito no show do Carnegie Hall. Foi ela quem pagou o cenário (todo espelhado) e as passagens. Meus técnicos não puderam ir. O consulado americano negou-lhes o Visa e resolvi o problema levando o Nizo, meu filho. Lug operou o gravador e Nizo (que conhecia de cor o espetáculo atual) ficou ao lado do técnico americano dando as ordens de go e stop para cada mudança de luz. Aquela organização exagerada dos americanos me irrita um pouco. Talvez seja o hábito da nossa esculhambação. O fato é que acho um pouco demais o excesso de "não pode" dos americanos. A firma de vídeoteipe que a Globo contratou para a gravação do show chegou à porta do Carnegie Hall às 7:45h e ficou esperando. O aluguel da casa começava às oito. Às oito em ponto a porta se abriu. Os técnicos da gravadora entregaram os fios aos homens do Carnegie Hall e eles os levaram, junto com o equipamento, para o teatro. Ninguém da gravadora podia entrar no teatro, com exceção dos cameramen. Ficaram todos dentro do caminhão, na rua, junto com o Zelito, o Eduardo Sidney e o Walter Lacet, que a Globo mandara para cortar. Só que o Lacet não podia tocar nas teclas do equipamento; isso teria que ser feito por um americano. Lacet, como o Nizo , ficou com seu serviço restrito ao one, two e three, dependendo da câmera que ele quisesse colocar no ar. "


" Apesar desta organização toda, a gravação ficou ótima, os dois espetáculos saíram maravilhosos e achei muito engraçado o câmera americano que morria de rir sem entender coisa alguma ".


O nome do show OITAVO NA PENEIRA foi inspirado em um baião de Luiz Gonzaga. Posteriormente vieram NÓ NO SHOW, OU DÁ OU DÉCIMO, DIÁLOGOS e DIÁLOGOS II.


O DIREITO DE RIR E RIR marcou a Despedida do Mestre nos Palcos e do Brasil, quando resolveu se mudar com a família para NY. OLHA EU AQUI OUTRA VEZ marcou seu retorno ao Brasil em 1998 e a estreia do Show marcou a REINAUGURAÇÃO do TEATRO DA LAGOA.


No início dos anos 2000 entra em cartaz com O FOFO, Show que tinha por objetivo abordar os problemas típicos dos brasileiros de maneira CRÍTICA, levando á plateia aos RISOS, mas também á REFLEXÃO. O FOFO foi Escrito e Dirigido por Ele Mesmo.


Entre 2003 e 2004 apresentou CHICO ANYSIO, O FANTÁSTICO, produzido e dirigido por seu filho André Lucas. André também foi responsável pela produção dos espetáculos EU CONTO, VOCÊS CANTAM ( em cartaz de 2005 a 2011 ) e CHICO.TOM ( de 2005 a 2010 ). Ao lado do Pai, Protagonizou o show TAL PAI, TAL FILHO, entre 2009 e 2010.

CHICO TOTAL foi lançado em LP em 1980 pela WEA

Com o filho André Lucas encenou TAL PAI, TAL FILHO que, paralelamente ao show CHICO.TOM, em parceria com Tom Cavalcante, foram os últimos espetáculos de sua Carreira.

Diálogos extraídos da Autobiografia SOU FRANCISCO, de 1992, Ed. Rocco

Kerley Fernandes Salguero, ( fã, admiradora, pesquisadora e idealizadora de conteúdo para projetos virtuais )